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[ Os demônios estão à solta ]
Convido-o a visitar um mundo abarrotado de livros. Você conseguiria viver nele? Salas, quartos, banheiros, corredores, ruas, prédios lotados de livros. Um mundo tão cheio de livros, que todos os governos tiveram que proibir o lançamento de novas obras.
O romance Poeira: demônios e maldições fala desse mundo e será lançado em São Paulo no dia 24 de março. Você encontra mais detalhes sobre o lançamento no convite anexo.
[ Futuro presente no Rascunho ]
[ Ficção brasileira no século XXI ]
Ficção brasileira no século XXI é um livro instigante. De leitura agradável e de interesse muito amplo, debruça-se, com competência e inventividade, sobre oito escritores brasileiros contemporêneos, consagrados e premiados. O que não é pouco em uma tradição como a nossa, em que não se encontram muitos estudiosos de leitura que encarem o contemporâneo e consigam discuti-lo de forma a dialogar, não apenas com o estudioso e o especialista como também com o leitor comum interessado em literatura. Adriana Lunardi, Alberto Martins, Luiz Ruffato, Michel Laub, Milton Hatoum, Nelson de Oliveira, Ricardo Lísias e Rodrigo Lacerda encontram, por meio da leitura que deles fazem os autores deste livro, novos olhares, há um convite para novos leitores e leituas renovadas. [o editor]
[ Saiu o segundo volume da ótima antologia de Roberto de Sousa Causo: Fronteiras ]
Nos dois primeiros volumes estão vinte e duas narrativas, de 1882 a 1997. São mais de cem anos de ficção científica produzida por brasileiros, cobrindo três períodos da evolução do gênero em nosso país, mostrando que ele teve e tem um papel na experiência brasileira, e merece um lugar no cenário das letras nacionais. A imortalidade e a duplicação da identidade humana, o pós-apocalipse e o temor nuclear, as viagens espaciais e o contato com seres alienígenas, e a presença do estranho entre nós. São histórias variadas em tom e atmosfera, que expressam diversidade temática e de estilos, e o potencial do gênero para combinar-se com outras formas e perspectivas, literárias e científicas, recriando-se indefinidamente. [o editor]
[ Rober Pinheiro comenta o Portal Fundação ]
[ Conversa com os colunistas d’O Bule ]
[ Quais são os cinco erros mais comuns que os escritores do mainstream cometem ao escrever ficção científica? ]
1. O uso desequilibrado da ciência. Alguns escritores do mainstream, ao se deparar com o desejo ou a encomenda para escrever uma história de FC, muitas vezes levam a tarefa ao pé da letra: acham que precisam escrever um tratado científico, porque, em sua opinião, só é ficção científica se tiver ciência. Outros, um pouco mais escolados, sabem que não é bem assim, e se permitem as liberdades que o ofício generosamente oferece, que são as da invenção: no entanto, acabam por inventar absolutamente tudo, inclusive novas leis da física ou da lógica, que acabam não levando a lugar algum. Ou seja, ciência em excesso ou nenhuma ciência não põem mesa em termos de FC.
2. A linguagem rebuscada e formal. O escritor do mainstream parece pensar que FC é necessariamente algo asséptico como o interior de uma nave espacial do filme 2001: uma odisséia no espaço, e portanto deve-se ter ou formalidade e grandiloqüência, ou frieza, tanto nos gestos quanto nos diálogos dos personagens. Eles esquecem que a FC é mais um modo do que um gênero, ou seja, é perfeitamente possível (e até aceitável) que se use a FC para falar da nossa realidade, do aqui e do agora. Uma das características do estranhamento, segundo Viktor Chklóvski, é justamente trazer a familiaridade para o leitor (o que pode ser feito pela via da linguagem, fazendo com que as personagens falem gírias ou pelo menos uma linguagem sem barroquismos) a fim de que o choque da estranheza seja maior (por exemplo, a percepção de que estamos em outro planeta, ou num universo paralelo).
3. O desconhecimento praticamente absoluto do que se produziu nos últimos trinta anos na literatura do gênero. Na década de 1970, talvez devido ao cinema, talvez devido à grande quantidade de traduções de autores clássicos como Isaac Asimov, Ray Bradbury e Arthur C. Clarke, e até mesmo outros que hoje são desconhecidos do grande público, como Fredric Brown e Robert Sheckley, alguns escritores do mainstream tinham um bom conhecimento do que se produzia lá fora. Rubem Fonseca e Ignácio de Loyola Brandão escreveram histórias de ficção científica bem antenadas com sua época (Fonseca escreveu alguns contos do gênero na década de 1960, ao passo que Brandão escreveu o romance experimental Zero e a distopia Não verás país nenhum nas décadas de 70 e 80 respectivamente). Mas hoje você não vê mais autores de fora do gueto escrevendo boas histórias de ficção científica. Cabe aqui um parêntese: o interessante é que o autor brasileiro até pode esperar um Roberto Bolaño ser publicado em português, mas se demorar muito ele vai à luta e compra a edição em espanhol, destrincha, percorre o labirinto e lê. Quer dizer, ele toma conhecimento do cânone (seja esse cânone oficial, acadêmico, moderno, modernoso etc.), seja com esse autor, ou com outro mais atual de outro país, como os EUA, a Inglaterra, a França. Mas para o mesmo acontecer com um autor de ficção científica este precisa virar cult, como Philip K. Dick (que morreu há vinte e sete anos), caso contrário nada feito.
4. O foco na alegoria. O escritor do mainstream de modo geral tenta fazer um breakthrough escrevendo com o foco na forma, e não no conteúdo, e não raro acaba escrevendo alegorias ou parábolas, à maneira dos contes philosophiques franceses. Isto não é um erro: os anos 1960 e 1970 estão cheios de ótimos exemplos narrativos de FC experimental cujo foco era voltado mais para a forma do que para o conteúdo, como Stand on Zanzibar, de John Brunner, ou Dhalgren, de Samuel Delany. Entretanto, não estamos mais nos anos 70, e o que vemos hoje é o retorno da narrativa clássica (leia-se clássica aqui não como conservadora, mas como conversadora, que dialoga com tradições, como Conrad, Balzac, Faulkner, Hemingway, Férenc Molnar, Érico Veríssimo), e a ficção científica só tem a ganhar com a versão século 21 desse diálogo.
5. Não me ocorre um quinto erro, ainda que pecadilhos existam vários.
Fábio Fernandes
[ Portal Fundação no café Flores na Varanda ]
[ Tibor Moricz comenta o Portal Fundação ]
[ Axis mundi no blogue do poeta Ninil Gonçalves ]
[ Gide na Folha de S.Paulo ]
[ Álvaro Domingues resenha Futuro presente ]
[ Esqueçam tudo o que já foi dito sobre o fim do mundo: ele ocorrerá mesmo no dia 31 de julho de 2013 ]
[ Octavio Aragão resenha Futuro presente ]
[ O próximo portal ]
[ Programa Espaço Aberto ]
[ Getulina, Penápolis, Buritama, Ilha Solteira e Valparaíso ]
[ Axis mundi em BH ]
[ Dez poetas portugueses contemporâneos simplesmente sensacionais ]
[ Quais são os cinco erros mais comuns que os escritores do mainstream cometem ao escrever ficção científica? ]
1. Confundir FC com o trash: muita gente que conhece a FC de ouvir falar vincula o gênero a elementos trash, como naqueles filmes antigos que uniam baixo orçamento e invasão marciana. Existe FC trash, sem dúvida, mas não é o elemento trash que define a FC.
2. Não estudar ciência antes de fazer uma especulação científica: assim como um romance histórico exige pesquisa, uma especulação sobre algo que (ainda) não existe também exige pesquisa para ser plausível, convincente. Devemos sempre saber sobre o que estamos escrevendo, não?
3. Achar que as regras da boa escrita perdem valor na FC: já vimos muitos bons escritores mainstream desaprenderem a escrever quando tentam a FC. A preocupação com a qualidade do texto deve ser a mesma.
4. Achar que verossimilhança não combina com FC: investir no absurdo pelo absurdo só funciona no humor, e mesmo assim com conhecimento de causa, senão vira humor involuntário.
5. Ignorar a alternativa slipstream, obra que transita dentro e fora do gênero, como 1984. Muita gente que tem prevenção contra a FC já apreciou uma obra de FC sem se dar conta. Histórias mainstream que empregam elementos fantásticos, techno ou futurista também são FC.
Ataíde Tartari